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O mercado de cloud computing não dá sinais de desaceleração. Segundo estimativas do Gartner, ofertas de serviços e estruturas de cloud devem movimentar globalmente mais de US$ 300 bilhões até 2021. Tais cifras, claro, ressoam nos dedicados investimentos das áreas de TI das companhias. Estimativa recente da mesma consultoria aponta que 36% dos gastos com serviços de implementação de TI são voltados a recursos baseados em Nuvem e 28% de todos os gastos com software são para a contratação de Software como Serviço (SaaS). Entretanto, a empolgação com as promessas da nuvem não reduz a complexidade que a tecnologia traz. Pelo contrário. Aumenta.

Multicloud e cloud híbrida estão se tornando o padrão no mercado. Segundo levantamento do RightScale, 84% dos respondentes reportaram usar mais de quatro fornecedores em nuvem, incluindo aí ofertas de cloud pública e privadas. Entretanto, não só as empresas estão migrando para o multicloud, como também para mais de uma nuvem pública. Isso significa trabalhar com dois ou três fornecedores no mercado – Google, AWS e Microsoft.

Fábio Pereira, sócio da área de Consultoria Empresarial e líder do CIO Program da Deloitte, explica que a popularidade do multicloud tem uma razão simples de ser: não ficar preso apenas a um fornecedor e a possíveis restrições técnicas e comerciais. “Quando você tem a possibilidade de orquestrar nuvens híbridas, e nesse modelo entra on premise e nuvem privada, você cria a capacidade de gerenciar serviços e soluções, podendo escolher, mudar e avaliar, ter uma arquitetura aberta. Ao não ter esta dependência do fornecedor, você acaba ficando mais competitivo”, destaca Pereira. Entretanto, os departamentos de TI assumem como herança a complexidade que a liberdade do multicloud traz.

A saída para essa orquestração, diz Pereira, deve estar no modelo de gestão de nuvem. “Ele tem de ser muito claro”, reforça. “Não consigo fazer isso com uma ferramenta só, preciso de uma conectividade muito forte. Tudo tem um ônus e um bônus. Mas é um caminho que as empresas estão adotando e evoluiu bastante. É uma realidade do mercado”, completa.

Como lidar com a complexidade?

A complexidade do multicloud é a causa número um de erros experienciados na tecnologia em questão. Número de workloads, banco de dados, plataformas, sistemas de armazenamento, modelos de segurança e de governança, além de plataformas de gerenciamento, uma lista sem fim de pormenores, condensam a complexidade de orquestrar este ambiente, explica David S. Linthicum, Chief Cloud Strategy Officer da Deloitte.

Entretanto, Linthicum ressalta que a complexidade é um resultado natural. Em sua visão, uma regra boa a seguir é olhar para a chamada Cloud Operations (cloudops). “Se você estiver no orçamento reduzido, e há poucas ou nenhuma interrupções ou brechas, então é provável que sua complexidade esteja sob controle. Revisite essas métricas a cada trimestre e você estará bem”, aconselha.

A maioria das empresas já enfrenta um certo grau de complexidade em relação a multicloud ou terão um a encarar até o final de 2020, diz Linthicum. E isso se dará graças a construções de nuvem desconectadas ou ao gerenciamento de equipes de migração. Soma-se a isso o foco nas melhores arquiteturas de multicloud. Esta complexidade deve servir de alerta, pois também joga luz em questões intrínsecas à segurança dos dados.

“A primeira etapa para lidar com sua complexidade é examinar todos os dados, serviços, cargas de trabalho e plataformas. Procure maneiras pelas quais eles podem ser gerenciados usando ferramentas que suportam abstração e automação. Não é simples, mas faz sentido que um processo para resolver a complexidade seja complexo por si só”, complementa Linthicum.

Uma oportunidade – e complexidade – chamada 5G

A iminência do 5G também acrescentará outra geração de complexidade à nuvem. A quinta geração de telefonia móvel promete um potencial sem precedentes no que diz respeito à Internet das Coisas. E, com um número infinito de sensores conectados, qual a tecnologia que suportará e orquestrará tamanha criticidade?

Fábio Pereira, da Deloitte, lembra que o 5G promete melhor conectividade e menor latência às aplicações críticas. “O 5G vai ser uma grande onda de dimensões nunca antes vistas. Vai trazer um choque de possibilidades ao mercado. Mas onde isso é mais sensível, onde se tem a questão de latência e conectividade, você tem um excesso de sensorização. Pense em carros autônomos, medição de sinais vitais, que você precisa de resposta em tempo real. Vai trazer possibilidades de uso para indústria que nunca puderam ser exploradas e isso traz impacto na nuvem tradicional”, explica.

Há ainda especialistas do setor que veem na popularização do 5G uma ameaça à própria nuvem. Em um artigo para a Forbes, Jon Markman, analista de tecnologia e investidor, defende que, inicialmente, redes de cloud serão a base para o 5G se comunicar com dispositivos conectados. Mas no longo prazo, redes ultrarrápidas teriam o potencial para criar o que ele chama de um mundo “pós-nuvem”. “Eles iriam processar e atuar nos dados que coletam na borda da rede, em tempo real. Seria um mundo com cada vez mais humanos operando”, escreve.

Já na visão de Linthicum, o 5G promete levar o cloud computing para todos. Trata-se, da peça que falta a áreas que ainda pecam com a falta de conectividade, como áreas rurais.

“Vai demorar um pouco até que o 5G chegue a uma torre perto de você, mas promete internet de alta velocidade e baixo custo, latência para todos, não importa onde você mora ou tenha um negócio. Este é o elo que falta para muitas pessoas e empresas quando se trata de usar a computação em nuvem”, conclui.

 

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